Caminho...
20-10-2011 13:26
Caminho pelas ruas desertas da cidade. A noite mima-me com a sua brisa fresca e poluída. Os cheiros tornam-se mais intensos e os sons trepam pelos prédios altos. Fazem eco, correndo pelas ruas desnudas. A cidade parece meio adormecida. Gosto dela assim. Mais calma, mais atenta, menos barulhenta, menos agressiva. Caminho de olhos postos em cada pormenor que não se deixa adormecer. Caminho, atenta ao sons que a noite destapa e me dá a conhecer. Os grilos cantam uma melodia animada. Outros bichos saem à rua. Perdem a vergonha e contemplam a cidade antes da madrugada. Gosto deles. São naturais. Sobrevivem entre nós, escondendo o seu esplendor em buracos peçonhentos. Talvez tenham uma casa chique dentro desses buracos. Talvez não lhes falte nada. Talvez tenham um supermercado onde tudo está à sua disposição. Ou, talvez não. Talvez necessitem cruzar-se com seres gigantes, que lhes esborracham a vida com marcas de calçado baratas. Talvez sejam meros habitantes da cidade, aos quais ninguém presta atenção, mas que vivem ao nosso lado. Eu consigo vê-los, ouvi-los e contempla-los. São pequenos, mas têm uma capacidade de sobrevivência desmedida.
Caminho pelas ruas desertas da cidade, mas não caminho sozinha. Eles estão ali escondidos, a cantar para mim. E a noite ganha um brilho diferente. As ruas ganham vida. A cidade não adormece totalmente. Existe vida que não adormece. E caminho com um sorriso no rosto porque não estou sozinha e porque as ruas não estão, realmente, desertas.
Elsa Azevedo
Personagens:
- Susana
- Eduardo
- Ana Maria
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- Cristiano
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- Dr. Angelo
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- ...
Espaços:
- Portimão
- Odeceixe
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Notícias
02-10-2011 22:00
Numa falésia vislumbramos os nossos sonhos
Cruzamos linhas de um pensamento que se funde
É alegria que brilha nos nossos rostos risonhos
Abraçados num sentimento que não se confunde.
O mar calmo embala-nos como uma canção
São especiais estes recortes que guardo no...
22-08-2011 13:19
Bloqueei os meus sentidos de uma vez
Não quero ser capaz de sentir o mundo
Travei o início de uma estranha lucidez
Que torna o meu raciocínio moribundo.
Mas que dormência será capaz de me apagar
Este fogo que arde no meu peito sem cessar
A culpa de um desejo estúpido de sair...
18-08-2011 13:11
Uma pena leve que se perde no horizonte
Levada pela brisa de uma saudade dormente
Uma pena que se perde hoje, eternamente
Arrastada sem jeito ultrapassando outra ponte.
Fico a observá-la com tristeza no olhar
Sigo os seus movimentos delicados pelo ar
Uma lágrima acompanha esta curta...
20-07-2011 22:45
É do tempo que se afasta no momento
É da vida que se encontra meio perdida
É do rumo incerto que segue em desaprumo
É do mundo que gira veloz a cada segundo.
Pensei que era mais fácil pensar que era do tempo
Da chuva fria de Inverno ou do seu constante vento
Das nuvens negras...
Itens: 13 - 16 de 99



Imagens por: Pedro Pinheiro
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Elsa Azevedo
elsa-azevedo@hotmail.com